Olhe os produtos abaixo. O que eles possuem em comum?

Não, o creme dental não é sabor chocolate!
Muitas pessoas não têm o hábito de ler as informações existentes nas embalagens de produtos alimentícios, de higiene pessoal, cosméticos etc. Mas é justamente ai que encontramos a semelhança entre os produtos mostrados. Todos eles (são os que havia em minha casa) apresentam ficocolóide em sua composição.

Ficocolóides – ágar, carragenana e alginato- são polissacarídeos extraídos da parede celular de algas vermelhas ou pardas, que tem a propriedade de formar gel em solução aquosa. Devido as suas propriedades gelificantes, estabilizantes e emulsificantes, os ficocolóides passaram a ter grande aplicação nas indústrias alimentícia, farmacêutica e biotecnológica. Atualmente, cerca de 1 milhão de toneladas (massa fresca) de algas são coletadas e usadas para a extração de 55000 toneladas de ficocolóides, um mercado estimado em quase U$ 600 milhões.
Ágar
Extraído de alguns gêneros de algas vermelhas, especialmente Gelidium, Gracilaria e Gracilariopsis. Até pouco tempo, tais gêneros eram apenas colhidos diretamente de bancos naturais, sem manejo adequado. Atualmente, cultivos têm sido desenvolvidos em mar aberto, estuários ou tanques. Gelidium é produzido principalmente no Japão, Indonésia, Coréia, Marrocos, Espanha e Portugal, e principal fornecedor de Gracilaria é o Chile.
No Brasil, embora a explotação de macroalgas tenha se iniciado por volta de 1940, o impacto social e econômico que esta atividade gera ainda é reduzido e restringe-se basicamente à região nordeste do país, sendo que a produção nacional movimenta menos de US$ 2 milhões. Gracilariopsis tenuifrons, Gracilaria birdiae, Gracilaria cornea e Gracilaria caudata são as principais espécies coletadas na costa nordeste do Brasil por famílias de pescadores, totalizando cerca de 600 toneladas de massa seca de alga para a produção de ágar.

Gelidium amansii
Carragenana
Atualmente, as principais fontes de carragenana são as algas vermelhas Kappaphycus alvarezii e Euchema denticulatum, cultivadas a um baixo custo em países de águas quentes (Indonésia, Filipinas, Tanzânia). Originalmente, esse ficocolóide era obtido a partir de Chondrus crispus de bancos naturais. Outras espécies têm sido valorizadas por produzirem tipos específicos de carragenana, por exemplo, Hypnea musciformis no Brasil. Aqui também existem cultivos de K. alvarezzi liberados pelo IBAMA no litoral norte de São Paulo e sul do Rio de Janeiro, apesar de esta ser uma alga exótica no país.

Cultivo de Kappaphycus alvarezii na Baía de Sepetiba, RJ.
Alginato
Extraído principalmente de Ascophyllum, Durvillaea, Ecklonia, Laminaria e Macrocystis, gêneros de algas pardas. A estrutura e, consequentemente, as propriedades químicas dos alginatos podem variar bastante entre os gêneros. As algas são totalmente oriundas de bancos naturais ao redor do mundo (Irlanda, Noruega, França, Inglaterra, Austrália, África do Sul), uma vez que o cultivo de algas pardas é muito caro (pois não se propagam por meio vegetativo).

Ecklonia maxima
Fotos das algas obtidas em www.algaebase.org.