Conhecendo um pouco os ficocolóides.

Olhe os produtos abaixo. O que eles possuem em comum?

Não, o creme dental não é sabor chocolate!

Muitas pessoas não têm o hábito de ler as informações existentes nas embalagens de produtos alimentícios, de higiene pessoal, cosméticos etc. Mas é justamente ai que encontramos a semelhança entre os produtos mostrados. Todos eles (são os que havia em minha casa) apresentam ficocolóide em sua composição.

Ficocolóides – ágar, carragenana e alginato- são polissacarídeos extraídos da parede celular de algas vermelhas ou pardas, que tem a propriedade de formar gel em solução aquosa. Devido as suas propriedades gelificantes, estabilizantes e emulsificantes, os ficocolóides passaram a ter grande aplicação nas indústrias alimentícia, farmacêutica e biotecnológica. Atualmente, cerca de 1 milhão de toneladas (massa fresca) de algas são coletadas e usadas para a extração de 55000 toneladas de ficocolóides, um mercado estimado em quase U$ 600 milhões.

Ágar

Extraído de alguns gêneros de algas vermelhas, especialmente Gelidium, Gracilaria e Gracilariopsis. Até pouco tempo, tais gêneros eram apenas colhidos diretamente de bancos naturais, sem manejo adequado. Atualmente, cultivos têm sido desenvolvidos em mar aberto, estuários ou tanques. Gelidium é produzido principalmente no Japão, Indonésia, Coréia, Marrocos, Espanha e Portugal, e principal fornecedor de Gracilaria é o Chile.

No Brasil, embora a explotação de macroalgas tenha se iniciado por volta de 1940, o impacto social e econômico que esta atividade gera ainda é reduzido e restringe-se basicamente à região nordeste do país, sendo que a produção nacional movimenta menos de US$ 2 milhões. Gracilariopsis tenuifrons, Gracilaria birdiae, Gracilaria cornea e Gracilaria caudata são as principais espécies coletadas na costa nordeste do Brasil por famílias de pescadores, totalizando cerca de 600 toneladas de massa seca de alga para a produção de ágar.

Gelidium amansii

Carragenana

Atualmente, as principais fontes de carragenana são as algas vermelhas Kappaphycus alvarezii e Euchema denticulatum, cultivadas a um baixo custo em países de águas quentes (Indonésia, Filipinas, Tanzânia). Originalmente, esse ficocolóide era obtido a partir de Chondrus crispus de bancos naturais. Outras espécies têm sido valorizadas por produzirem tipos específicos de carragenana, por exemplo, Hypnea musciformis no Brasil. Aqui também existem cultivos de K. alvarezzi liberados pelo IBAMA no litoral norte de São Paulo e sul do Rio de Janeiro, apesar de esta ser uma alga exótica no país.

Cultivo de Kappaphycus alvarezii na Baía de Sepetiba, RJ.

Alginato

Extraído principalmente de Ascophyllum, Durvillaea, Ecklonia, Laminaria e Macrocystis, gêneros de algas pardas. A estrutura e, consequentemente, as propriedades químicas dos alginatos podem variar bastante entre os gêneros. As algas são totalmente oriundas de bancos naturais ao redor do mundo (Irlanda, Noruega, França, Inglaterra, Austrália, África do Sul), uma vez que o cultivo de algas pardas é muito caro (pois não se propagam por meio vegetativo).

Ecklonia maxima

Fotos das algas obtidas em www.algaebase.org.

Por que estudar e trabalhar com as algas?

Gracilariopsis tenuifrons.

Diálogo muito comum na época do meu mestrado:

- Amanda, o que você faz?

- Faço mestrado no Laboratório de Algas Marinhas, lá na USP.

- Ah, legal! Mas quando você vai começar a trabalhar?

- Mas eu trabalho! (indignação no olhar) Estudo e trabalho com as algas, a pesquisa é meu trabalho.

- Ah tá! (aquele ar de descrédito) Mas por que você faz isso?

….

Porque eu gosto é a resposta! Porém, isso não é suficiente para as pessoas, muito menos para as agências financiadoras. Então vou contar aqui um pouquinho mais sobre o maravilhoso mundo das algas e como entrei nele.

Sempre adorei plantas e flores, e no colegial fui apresentada formalmente à Botânica. Também adorei! Mas quando optei por cursar Ciências Biológicas tinha em mente a Genética, que começou a tomar a mídia na época.

Na faculdade, a primeira disciplina de Botânica foi “Taxonomia e Morfologia de Criptógamas”. De forma ampla, abordava algas, briófitas, pteridófitas e fungos, “vegetais com estrutura reprodutiva não evidente”.  Atualmente, sabe-se que os fungos são mais relacionados aos animais do que às plantas. Entretanto, eles continuam sendo estudados e ensinados pela Botânica. Fiquei encantada com aulas práticas, pela primeira vez montava lâminas e usava microscópios! Depois de realizar os exercícios obrigatórios, ficava examinando detalhadamente cada lâmina, procurando por cianobactérias, diatomáceas (tão lindas!), ou analisando a estrutura de organismos maiores. Enquanto isso, enchia as monitoras de perguntas, e uma delas me dizia “Ah, você ainda vai trabalhar com isso, tenho certeza!”

E ela acertou! Dois anos depois lá fui eu bater na porta do Laboratório de Algas Marinhas, o LAM. Fui visitar uma amiga que estava trabalhando com biologia molecular. A Rose, a tal monitora, estava lá, era doutoranda, e apresentou-me tudo no LAM e ofereceu-me um estágio. Aceito na hora! Trabalhei um ano com ela, ajudando em experimentos do seu doutorado e aprendendo muito, muito mesmo! Em seguida fiz minha iniciação científica e, depois, o mestrado. Foram cinco anos de grande crescimento profissional e pessoal!


Colocando minhas algas na câmara de cultivo.

As algas têm grande importância ecológica por serem os principais produtores primários nos ecossistemas aquáticos e são as grandes responsáveis pela produção de oxigênio (não, a Amazônia não é o pulmão do mundo!). Algumas espécies de cianobactérias, diatomáceas e dinoflagelados podem produzir potentes toxinas, as quais causam a morte de peixes e moluscos (e outros animais que se alimentem deles) e são prejudiciais também aos humanos (vide o caso da diálise em Caruaru).

Muitos gêneros de macroalgas são utilizados na alimentação humana, principalmente Porphya (nori), Euchema, Laminaria (kombu) e Undaria (wakame). Essas algas são bastante consumidas em países orientais e sua produção através do cultivo ultrapassa o que é colhido de populações naturais. Aliás, o cultivo de macroalgas representa a segunda maior produção mundial em aqüicultura, de acordo com dados da FAO.

As macroalgas também são usadas para extração de ficocolóides, produção de fertilizantes e ração animal. Possuem grande potencial como biorremediadoras no tratamento de águas poluídas e em cultivos integrados com invertebrados e peixes, devido à capacidade de remoção de compostos nitrogenados e fosfatados e de metais pesados, além de manter estável o teor de oxigênio dissolvido. Ainda, as macroalgas são matéria-prima para a obtenção de compostos bioativos com potencial atividade antibiótica, antiviral ou antitumoral, e extração de ficobiliproteínas, usadas como corante e marcador fluorescente.


Extraindo pigmentos.

Algumas microalgas, por exemplo a cianobactéria Spirulina, têm sido usadas como complemento alimentar devido ao seu alto teor de proteínas e aminoácidos. As microalgas verdes também têm recebido destaque devido ao seu enorme potencial para a produção de biocombustíveis, uma vez que produzem e armazenam uma boa quantidade de lipídeos.

Nos próximos posts explicarei detalhadamente cada uma dessas aplicações, com a bibliografia específica.

Quem são as algas?

A ciência é um campo muito dinâmico e é natural que os sistemas de classificação estejam em constante transformação. O sistema de cinco reinos proposto por Robert Whittaker em 1969, que perdura até hoje em muitos livros didáticos, considera primordialmente semelhanças morfológicas e fisiológicas. Atualmente, muitos trabalhos utilizam ferramentas de biologia molecular para elucidar as relações de parentesco entre os diversos organismos, revelando que muitos grupos antes estabelecidos não possuem qualquer significado taxonômico e, portanto, novas filogenias têm sido adotadas (ver figura no fim do texto).
Um desses grupos é o das algas. Elas estão agrupadas em filos conforme a organização do talo, pigmentação, constituição da parede celular e substâncias de reserva.  São avasculares e, portanto, sem organização de raiz, caule e folhas. A maioria de seus representantes é aquática, mas alguns vivem no ambiente terrestre.

Os filos englobados pelo termo “algas” são:

Cyanobacteria (cianofíceas ou algas azuis): Procarionte. Talo unicelular, colonial ou filamentoso. Possui clorofila a, ficobiliproteínas (pigmento que confere coloração avermelhada ou azulada e atua como reserva de nitrogênio) e carotenóides (cor amarela, laranja ou marrom). Sua reserva é o amido das cianofíceas (semelhante ao glicogênio). Bainha de mucilagem envolve as células e colônias, permitindo fácil reconhecimento ao microscópio. Acinetos (célula de resistência) e heterocitos (célula responsável pela produção de nitrogenase, enzima que fixa nitrogênio molecular)


Anabaena crassa

Prochlorophyta: Procarionte. Talo unicelular ou filamentoso. Possui clorofila a e b e carotenóides. Amido semelhante ao das cianofíceas. Seus representantes já pertenceram à Cyanophyta, porém o novo filo foi criado devido à ausência de ficobiliproteínas e presença de clorofila b. Infelizmente, não achei nenhuma foto interessante para ilustrar.

Euglenophyta: Eucarionte. Talo unicelular e móvel por flagelos (1 ou 2). Sua reservaa é o paramilo. Não possui parede celular, mas internamente à membrana plasmática tem uma película protéica organizada espiraladamente. Na porção anterior da célula está localizado o estigma (ou mancha oceolar), estrutura relacionada à captação de estímulos luminosos. Sua cor alaranjada deve-se aos carotenóides. Algumas espécies são heterotróficas.


Euglena spirogyra

Dinophyta (dinoflagelados): Eucarionte. A maioria dos representantes é unicelular, porém alguns podem formar colônias pela não separação das células recém divididas. Possui clorofila a e c2 e carotenóides. Sua reserva é constituída por amido e alguns lipídeos. Quando presente, a parede celular é interna à membrana plasmática e composta por celulose. A característica marcante deste grupo é a presença de dois flagelos, um na porção posterior e outro circundando o plano equatorial da célula, o que confere um movimento de rotação. Existem também formas heterotróficas.


Ceratium hirundinella

Bacillariophyta (diatomáceas) : Eucarionte. Maioria é unicelular, mas existem também formas coloniais. Possui clorofila a, c1 e c2 e carotenóides. Sua principal substância de reserva é a crisolaminarina. A parede celular é composta por sílica.


Pinnularia sp. e Coscinodiscus sp.

Phaeophyta (algas pardas): Eucarionte. Não existem formas unicelulares. Talo filamentoso, pseudoparenquimatoso (filamentos justapostos unidos por mucilagem)  ou parenquimatoso. Possui clorofila a, c1 e c2 e carotenóides. Laminarina e manitol são suas principais substâncias de reserva. A parede celular é formanda por celulose, alginato e fucoidina.


Laminaria digitata

Rhodophyta (algas vermelhas): Eucarionte. Existem formas unicelulares, filamentosas, pseudoparenquimatosas e parenquimatosas. Possui clorofila a, ficobiliproteínas e carotenóides. Suas principais reservas são amido das florídeas e floridosídeo. A parede celular é composta por celulose impregnada de ágar ou carragena. Estas substâncias, assim como o alginato das algas pardas, são conhecidas como ficocolóides, têm grande valor econômico e serão discutidas em um próximo post. Em algumas famílias há deposição de carbonato de cálcio ou magnésio.


Gracilaria corticata e Porphyra dioica

Chlorophyta (algas verdes): Eucarionte. Talo unicelular, colonial, filamentoso (celular ou cenocítico) ou parenquimatoso. Possui clorofila a e b e carotenóides.  Tem amido como substância de reserva. Parede celular constituída por celulose, sendo que alguns gêneros podem apresentar depósito de carbonato de cálcio.


Ulva rigida e Codium fragile

Hoje se sabe que tais filos são pouco relacionados entre si (figura abaixo), e que apenas as algas verdes e vermelhas possuem parentesco direto com Embryophyta (as chamadas plantas terrestres). Devido a semelhanças bioquímicas, ultra-estruturais, detalhes da divisão celular e dados de biologia molecular, considera-se que um pequeno grupo de Chlorophyta, chamado Charophyceae (considerado por alguns autores como um filo distinto, Charophyta), deu origem às plantas terrestres.

Representação esquemática da filogenia consenso dos eucariontes. Modificado de Baldauf, 2003.

Leituras recomendadas:

Baldauf, S.L. 2003. The deep roots of eukaryotes. Science 300: 1703-1706

Oliveira, E.C. 2003. Introdução à Biologia Vegetal. 2ª edição. EDUSP. 267p.

Raven, P.H., Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª edição. Guanabara Koogan. 830p.

Sustentabilidade e esse tal SWU

Sustentabilidade, palavra da moda. Ecologicamente correto, muitos dizem ser.

Segundo o Relatório de Brundtland, sustentabilidade é “satisfazer as necessidades presentes sem compromenter a capacidade das gerações futuras de suas próprias”. O conceito não engloba apenas a conservação ambiental, mas também a relaciona diretamente com a economia, o desenvolvimento social e cultural.

Tenho visto a ampla divulgação e apoio (por muito biólogos, inclusive) ao SWU, um movimento (que se diz) em prol da sustentabilidade, que tem a prerrogativa de que as mudanças em direção a um mundo ecologicamente correto começa com pequenas atitudes de cada cidadão. Tudo muito bonito… É mesmo?

No plano de ação está a mitigação de carbono, através do plantio de árvores. Sempre as árvores! A organização garante que esse plantio será suficiente para absorver as toneladas de gás carbônico equivalentes às emitidas no transporte áereo dos artistas, consumo dos geradores, traslados etc. Eu gostaria muito de saber como foi feito tal cálculo. Mas talvez seja possível que as árvores absrovam tudo, quem sabe daqui uns 300 anos. Será que eles contaram as emissões relativas ao transporte de quem vai ao evento? E à produção de tudo que será consumido pelos participantes?

No mesmo plano de ações diz que “quem levar conta de luz que comprove a redução no consumo de energia no último mês poderá comprar produtos SWU com 10% de desconto”. Hã? Um evento que visa conscientizar sobre sustentabilidade estimulando o consumo? Contraditório, não?

E depois de todo o consumo (posso até imaginar o chão repleto de copos descartáveis, garrafas vazias, embalagens de alimentos), haverá um incentivo à reciclagem, um processo tão caro, que consome muita energia. Antes do R de reciclar há outro dois: reduzir e reaproveitar, ambos citados apenas 2 vezes no plano de ações. Reciclar, reciclagem e afins estão citados 21 vezes.

O R mais importante, o de repensar hábitos incorporados em nossa sociedade tão individualista e consumista não está lá. Será que estará presente pelo menos no Fórum Global de Sustentabilidade, ou ele será deixado de lado entre tantos shows?

O laboratório no ensino de Botânica.

Depois de tanto tempo sem escrever, venho aqui para divulgar mais um curso de extensão universitária oferido pelo Departamento de Botânica do Instituto de Biociências, USP. O curso é voltado para professores da Educação Básica e visa o planejamento e desenvolvimento de atividades práticas.

Maiores informações no folder abaixo.

Mesa redonda sobre células tronco embrionárias

Depois de séculos sem escrever um post, publico este apenas para divulgar uma mesa redonda sobre células tronco embrionárias que ocorrerá amanhã, dia 13/05 (pois é, também só soube hoje), no Instituto de Ciências Biomédicas I (ICB I) na USP, a partir das 17:00. Aberto ao público em geral e com entrada franca. Uma ótima iniciativa dos organizadores que visa aguçar o espírito crítico dos presentes sobre temas polêmicos e de grande importância para a sociedade.

Local: Av. Prof. Lineu Prestes, 1524, Cidade Universitária, São Paulo. ICB I. Anfiteatro Prof. Dr. João Garcia Leme (sala 2 do setor didático).

Episódio 11 – Células tronco, Tibet, Mojo, Tijuco Alto, Dengue, etc


(evento recreativo reunindo crianças portadoras de distrofia muscular – foto: Jonny Ken Itaya)

Esse com certeza é a edição mas sem sentido de todas! O podcast ficou com quase uma hora de duração pois tratamos dos mais diversos assuntos, desde célula tronco (tema principal), barragens, Mojo, dengue, etc…. Mandem comentários via texto (ai em baixo) ou ou audio/mp3 para o usuário podcastdecodificando ARROBA gmail.com

Downloads:
Episódio 11 (MP3, 64 kbps, 59′19″, 27,82MB)

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Episódio 11 low (MP3, 16kbps, 59′19″, 7,25MB)

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Episódio 11 zip (MP3, 64 kbps, 59′19″, 27,16MB)

0’00” – Abertura – Ricardo Macari do Podcast Código Livre
0’40” – Comentários do Podcast 10 sobre Aborto
- Didi – Direito é legal
5’30” – Votação da Inconstitucionalidade das Liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias.
- Voto a favor do Relator Ministro Carlos Ayres Brito em PDF
- Acompanhamento processual
- Depoimento do Advogado do Congresso Nacional – Leonardo Mundim
- Direito e Trabalho – Ellen Gracie no Tribunal de Haia?

20’00” – Divulgação de vídeos na internet do conflito no Tibet
- IDGNOW!- China bloqueia Google News e YouTube para abafar crise no Tibete
- 22’00 – Pedro Dória e Cardoso debatem sobre Internet X Ditadura no Campus Party
23’54”Gui Leite pergunta: o Mojo é legal?
- Bonjour no site da Apple
- Breve discussão sobre Direitos Autorais
30’00”Vício em Internet é considerado distúrbio mental.
35’00”Grávida que faz aborto deve ir presa?

39’00”Protestos contra a criação da Barragem do Tijuco Alto
Doação da Aracruz e da Votorantim para candidatos (errata – não tem a ver com a barragem e sim com a produção de papel no RS)
43’00”1 caso de dengue por minuto no RJ
- Como diminuir os casos de dengue
- Justiça manda indenizar família de vítima de Dengue
48’00” – Pergunta do Rafael Portillo – Criador & Editora – De quem é o direito sobre a obra?
50’00” – Radar eletrônico e a moralidade adminsitrativa
Sapere Aude – É correto a Administração Pública “esconder” os radares?
56’30”Homenagem ao Professor Dr. Osmar Domaneschi


(Colação de grau dos Formandos 2006 – Professor homenageado- foto: Jonny Ken)

Você sabe quais são os 3 pontos de apoio de uma Universidade?

Recentemente o Edney (Interney Blogs) convocou os blogueiros (e porque não os podcasters) para participar da Blogagem Inédita. Como recentemente eu estava conversando com o ele sobre Extensão Universitária, resolvi escrever sobre isso e outras coisas mais.

Eu sempre fui uma criança extremamente curiosa. E por sorte meus pais sempre tentaram responder as minhas perguntas, exceto duas: “qual a diferença entre motel e hotel?” e “qual a diferença de faculdade e universidade?”. A primeira talvez porque eles ficavam sem graça, mas a segunda é porque eles não sabiam mesmo.

(Ensino – Curso de coleta e manutenção de material biológico – Licenciatura Bio- foto: Jonny Ken Itaya)

Existem diversas respostas para diferenciar uma Faculdade de uma Universidade, desde respostas simples como “Faculdade ministra cursos na mesma área, já a Universidade dá curso em diversas áreas” até respostas mais “politicas” como “Universidades gozam de autonomia plena gerenciar seus cursos“. Mas para mim, a diferença real está no Tripé que toda Universidade se apóia: PESQUISA, ENSINO, e… e… (vá pensando)

(Amanda pesquisando como optimizar o crescimento das algas in vitro- foto: Jonny Ken Itaya)

Quando alguém pensa em uma Universidade, automaticamente lembra de pesquisas científicas, pois pelo menos aqui no Brasil, é o lugar onde se faz Ciência. Também se lembram de ensino, já que não vale nada todo o conhecimento se ele não é passado adiante. Mas praticamente NINGUÉM se da conta do terceiro pé: a Extensão, que é basicamente você aproveitar o dinheiro investido na Universidade e tentar retribuir esse investimento de volta para a sociedade.

Professores, funcionários e alunos, todos juntos por uma boa causa

Uma idéia que todo mundo confunde é achar que Extensão cultural é fazer caridade ou trabalho voluntário. O que as pessoas tem que ter em mente é que todo aluno e professor de universidade (principalmetne as públicas) deve destinar parte do seu tempo para atividades de extensão cultural. Não é caridade, é obrigação! Mas para se ter uma idéia, todo mês a Comissão de Cultura e Extensão (formada por professores e representante dos alunos – na época, eu) se reunia para selecionar 3 projetos de todos os professores e alunos para pedir verba para a Universidade. E rarissimas vezes apareciam mais de 3 projetos para serem aprovados… As vezes, somente 2!!!

Extensão cultural também é aprendizado

( USP e as Profissões - Alunos do Ensino médio conhecem as carreiras da Universidade- foto: Jonny Ken Itaya)

Felizmente eu sempre tentei participar da maioria dos projetos que estavam ao meu alcance, pois o aprendizado é muito grande. Por exemplo, recebendo alunos do ensino fundamental e médio na Comissão de Visitas eu descobri meu gosto pelo ensino para crianças do ensino fundamental. Organizando projetos como USP e as Profissões ou ajudando na Semana Temática aprendi como tentar coordenar pessoas e também como ser coordenado. Onde que poderia aprender essas coisas em um curso de Biologia? Sem falar em cursos de aprimoramento de professores de biologia/ciências, técnicos de laboratórios, etc.

Momentos para marcar na memória


(evento recreativo reunindo crianças portadoras de distrofia muscular – foto: Jonny Ken Itaya)

Além de poder melhorar sua formação profissional, você também pode melhorar sua formação pessoal. O dia que os alunos do IB-USP, CCEx Bio (Comissão de Cultura e Extensão – Biologia) e a ABDIM (Associação Brasileira de Distrofia Muuscular) organizaram um evento para receber crianças portadoras de distrofia muscular foi um dos momentos que eu mais cresci como cidadão. Conversar com familiares e portadores da sindrome em um momento de descontração foi uma das maiores experiências da minha vida. Além disso me fez descobrir a importância das pesquisas com células tronco na vida dessas e de milhares de outras pessoas com outros problemas que podem ser curados com o avanço dessa pesquisa!

Sou aluno/ professor de uma Universidade e me interessei. Com quem eu devo falar?
O mais fácil é falar com a Comissão de Cultura e Extensão de seu curso (QUALQUER CURSO – história, odonto, medicina, economia, adminstração, etc) ou da própria universidade. Boa parte da verba da Universidade é destinada para esse fim, porém muitas vezes ela não é utilizada por falta de tempo, de conhecimento ou pior, por falta de vontade. Se você não quiser desenvolver projetos nessa área, pode participar de outros projetos em andamento. Vale muito a pena!

Maiores detalhes:

Comissão de Cultura e Extensão Universitária- Biologia USP
http://www.ib.usp.br/ccex/

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária – USP
http://www.usp.br/prc/

Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários – UNICAMP
http://www.preac.unicamp.br/mais.html

Ps: Falando em células-tronco, um dos assuntos a ser debatido na gravação dessa semana do Decodificando é a votação no Supremo Tribunal Federal da Inconstitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias. Você tem sua opinião? Mande comentário (texto, audio gtalk ou mp3) para podcastdecodificando@gmail.com

(23:57 – em cima da hora!! acho que ainda dá tempo de mandar para o Edney)

Episódio 10 – Legalização do Aborto no Brasil

Voltamos com um tema bem polêmico: A legalização do aborto no Brasil. Discutimos a parte biológica, jurídica, etc.

Não se esqueçam… vocês podem mandar comentários em MP3 ou via audio no Gtalk para podcastdecodificando ARROBA gmail.com . O Decodificando agradece :)

0’00” – Abertura: Rafael Portillo, do blog “Teia de Podcasts
0’30” – Considerações iniciais e Campus Party
** – Palestras da CBN e do Campus Party
2’20” – Comentários do Episódio 9 – Rodízio em SP, CPMF, Jeremias e Plágio na Internet
5’20” – Aborto
6’10” – O que é Aborto? (conceitos biológicos e jurídicos)
7’30” – Métodos abortivos mais utilizados
16’00” – Teorias sobre quando começa a vida
20’20”- O que é vida?
** 20’30” Estudo durante a ditadura militar sobre esterilização da população carente
** 23’40” Foto da bicicleta na China
Feto resultante de aborto abandonado na China

(fonte: artigo de Abigail Haworth publicado na revista Marie Claire de Junho de 2001 – edição norte-americana)
** 26’10” Noticia sobre a criança abandonada embaixo do carro
26’30” – Problemas sócio-econômicos
34’00” – Posso processar uma empresa por falha no método contraceptivo?
36’15” – Aborto de Anencéfalo
** 38’00” – Criança anencéfala completa 1 ano
42’00” – Opiniões
** 42’10” Canha, do Podcast Digital Paper
** 45’00” Jucely Benfatti Coimbra, médica psiquiatra e psicoterapeuta
** 50’00” Jonny
** 53’00” Danielle
** 56’00” Amanda
58’30” – “Bolsa Estupro”
60’00” – Motivos religiosos durante a votação

Downloads:
Episódio 10 (MP3, 64 kbps, 64′07″, 29,42 MB)

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Episódio 10 (MP3, 16kbps, 64′07″, 7,35 MB)

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Episódio 10 zip (MP3, 64 kbps, 64′07″, 29,16 MB)

Insetos podem elucidar mortes misteriosas

A entomologia forense, uma área da ciência que se tornou conhecida por causa dos seriados americanos, tem se desenvolvido no Brasil levando-se em consideração a fauna e as características ecológicas daqui.

Quando os exames de praxe que levam em consideração o estado de conservação e o grau de rigidez do corpo, por exemplo, são insuficientes para determinar a data da morte, pode-se recorrer à identificação dos insetos que se alimentam da matéria orgânica em decomposição. Os vários estádios de desenvolvimento dos insetos (eclosão do ovo, transformação em larva ou em pupa) são controlados pela temperatura do ambiente e a disponibilidade de alimento. Como nesses casos comida é o que não falta, a partir da temperatura do corpo e do ambiente é possível estimar quanto tempo levou para que os insetos atingissem o estádio em que foram encontrados e, assim, determinar quando ocorreu a morte.

Já estou até vendo… Uma das novas armas dos criminosos será um poderoso inseticida!

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