2008: Ano Internacional dos Recifes de Coral

Os recifes de coral são ecossistemas de extraordinária biodiversidade, porém frágeis porque sua existência e manutenção requer parâmetros abióticos específicos (águas de baixa turbidez e temperatura entre 20 e 28 oC). Além disso, constituem fonte de alimentos e de renda para muitas comunidades.

Apesar de sua importância, os ambientes recifais vêm sofrendo um acelerado processo de degradação devido a ações antrópicas.

Preocupada com esta situação, a Iniciativa Internacional de Conservação de Recifes de Coral promove em 2008 o Ano dos Corais, visando aumentar o conhecimento e a conscientização sobre a importância dos recifes de coral, além de apoiar trabalhos de conservação, pesquisa e manejo. Este mês acontece em Washington, EUA, o primeiro encontro para discussão do tema, com a participação do Ministério do Meio Ambiente.

Agora é aguardar as novas propostas, ou novos métodos para colocar em prática antigas prospostas, que surgirão dessa reunião.

Para ler mais sobre iniciativas brasileiras, acesse o site do MMA.

Novo rodízio de veículos em São Paulo

A Dani já disse em seu último post que a Paula Signorini do Rasto de Carbono nos sugeriu que comentássemos sobre o novo esquema de rodízio de veículos em São Paulo (projeto de lei em fase de votação).

Apesar de não entender nada da parte jurídica, a primeira coisa que pensei ao ler o texto da Paula foi: “E o direito de ir e vir das pessoas?”. Até que ponto o governo pode interferir nos direitos individuais em busca do bem comum? Eu não sei, nem sei se há uma resposta conclusiva, mas sei que a Dani poderá discorrer melhor sobre isto, quem sabe no episódio 9.

Se esse projeto de lei for de fato aprovado, o transporte público de São Paulo se tornará um caos, maior do que já é, porque não tem para onde escoar a demanda que possivelmente surgirá. Simplesmente não tem! E digo isso com a propriedade de quem atravessa São Paulo todos os dias para ir trabalhar pegando ônibus-metrô-ônibus.

Uma outra questão, não sei até que ponto esta medida será eficaz, e se o rodízio que já é feito realmente contribui para a redução das emissões de gases. Isto porque as pessoas se adaptam, sei de muita gente que após a instauração do rodízio vigente comprou um outro carro (mais barato ou não) com placa de final diferente.

A única luz no fim do túnel que vejo é o desenvolvimento de combústiveis limpos, porque as pessoas não deixaram de lado a comodidade e praticidade de dirigir seu carrinho para pegar ônibus ou metrô lotados em prol de um planeta mais saudável para seus netinhos.

Insetos podem elucidar mortes misteriosas

A entomologia forense, uma área da ciência que se tornou conhecida por causa dos seriados americanos, tem se desenvolvido no Brasil levando-se em consideração a fauna e as características ecológicas daqui.

Quando os exames de praxe que levam em consideração o estado de conservação e o grau de rigidez do corpo, por exemplo, são insuficientes para determinar a data da morte, pode-se recorrer à identificação dos insetos que se alimentam da matéria orgânica em decomposição. Os vários estádios de desenvolvimento dos insetos (eclosão do ovo, transformação em larva ou em pupa) são controlados pela temperatura do ambiente e a disponibilidade de alimento. Como nesses casos comida é o que não falta, a partir da temperatura do corpo e do ambiente é possível estimar quanto tempo levou para que os insetos atingissem o estádio em que foram encontrados e, assim, determinar quando ocorreu a morte.

Já estou até vendo… Uma das novas armas dos criminosos será um poderoso inseticida!

Vacina contra HIV falha em teste

A nova vacina da Merck, que visava aumentar a produção de células-T para incrementar o sistema imune no combate ao vírus da Aids, fracassou em teste clínico. A vacina continha um vírus comum da gripe que carregava cópias de três genes do HIV.

O teste vinha sendo realizado desde 2005 em 3000 voluntários saudáveis, inclusive no Brasil. Metade deles tomava a vacina e metade placebo (grupo controle) e foi observado que não houve diferença entre o número de infectados pelo vírus nos dois grupos, ou seja, a vacina não foi capaz de impedir a infecção nem conter a multiplicação do HIV.

Apesar de decepcionante, certamente a notícia não desencorajará as pesquisas na área.

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XI Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal - Florestas ou etanol?

No último Congresso Brasileiro de Fisiologia Vegetal, realizado em Gramado de 09 a 14 de setembro, uma das palestras mais comentadas foi a ministrada pelo Prof. Marcos Silveira Buckeridge, da USP, intitulada “Florestas ou etanol: como a fisiologia vegetal pode ser estrategicamente usada para atingir a melhor escolha?” (traduzido). Para o professor, a mitigação da emissão de CO2 tem dois lados: a manutenção das florestas e dos serviços dos ecossistemas (sustentabilidade) e a produção de biocombustíveis.

Em estudos de sua equipe com jatobá, foi verifacado que esta espécie tem capacidade para seqüestrar CO2 e armazená-lo na forma de celulose, o que seria uma característica das espécies da amazônia, mas que varia de acordo com o processo de sucessão ecológica. Em pesquisas com cana-de-açúcar, também foi observado aumento da fotossíntese e, conseqüentemente, de biomassa, fibras e sacarose, apesar de ser uma planta C4.

No Brasil, ente 2005 e 2006, foram produzidos 400 milhões de toneladas de cana, sendo que 90% é constituído por água, ou seja, 40 milhões de toneladas correspondem à massa seca. Dessa massa seca, 40% é carbono, ou seja, 16 milhões de toneladas. Mas….. metade é para a produção de açúcar e as florestas tropicais absorvem 70 bilhões (!!!) de toneladas de carbono. Em suma, a produção de cana cobrirá 0,01% das florestas queimadas.

Existe uma maneira de minimizar o dilema manutenção das florestas x produção de etanol? Para o Prof. Buckeridge uma boa alternativa é a produção de cana com corredores de floresta, desta forma estariam garantidos a produção do biocombustível, um maior seqüestro de CO2 e os serviços do ecossistema. Este é o chamado “environmental friendly ethanol”, já implantado em alguns locais, como às margens da Rodovia dos Bandeirantes.

Mas, será tão simples assim? O que meus colegas biólogos acham?

Pesquisador já considerado “herói do planeta” é acusado de biopirataria

O primatólogo holandês naturalizado brasileiro Marc van Roosmalen foi condenado a 14 anos de prisão em Manaus sob acusação de biopirataria e peculato. Esta não é a primeira vez que o pesquisador protagoniza episódios polêmicos: já foi acusado de enviar material genético de espécies amazônicas para o exterior (o que provocou sua demissão do INPA), de transportar ilegalmente macacos e orquídeas e de tentar vender o direito à escolha de nomes científicos de novas espécies de macacos.

Roosmalen alega que pegou 14 anos de prisão porque fez ciência. Cientistas do mundo todo dizem que o tratamento dado a ele desestimulará as pesquisas biológicas e indica uma tendência de repressão governamental aos cientistas no Brasil. Afirmam ainda que as leis brasileiras antibiopirataria são vagas e conferem demasiado poder às autoridades que não têm conhecimento científico.

Não conheço as leis antibiopirataria (vou ler a respeito), mas tenho quase certeza que elas são elaboradas com auxílio de pessoas da área de ciências. Creio que a Dani pode comentar melhor sobre este aspecto.

O que eu sei é que o Brasil deve realmente proteger o seu maior bem, que é o patrimônio natural, e para isso é necessário regulamentação e aplicação exemplar das leis, bem como uma fiscalização adequada e maior transparência por parte dos pesquisadores.

Desmatamento e destruição de corais

A última estimativa dilvulgada pelo governo brasileiro prevê uma redução de 30% na taxa de desmatamento da floresta amazônica em relação ao índice registrado entre 2005 e 2006. Essa é uma boa notícia, mas como faltam os dados referentes aos desmatamentos em pequena captados pelo Prodes, um dos satélites que monitoram a região, ainda é cedo para comemorar, já que esses pequenos desmatamentos perfazem cerca de 50% do total. Ainda que pareça uma redução expressiva, a área desmatada é alarmante: 9200 Km2, o que é equivalente a 6,5 cidades de São Paulo!!!

Um outro dado preocupante diz respeito aos recifes de corais, que tem desaparecido a uma taxa média anual de 2% (o quíntuplo do índice de redução das florestas tropicais). E o principal responsável por esse desaparecimento é a ação antrópica, o que não é nenhuma novidade. Os recifes de corais constituem um ecossistema frágil e, ao mesmo tempo, estão entre os ambientes marinhos mais produtivos e exibem uma enorme biodiversidade. Nem mesmo a Grande Barreira de Corais, área protegida na costa da Austrália, está a salvo. É importante que sejam estabelecidas políticas de preservação destas áreas, assim como tem sido feito, pelo menos em teoria, para as grandes florestas tropicais.

Grande Barreira de Corais na Austrália

Grande Barreira de Corais da Austrália. Fonte: Wikipedia

Ainda sobre o famigerado horário de verão

Zé Gui na formatura
José Guilherme Chauí Berlinck na colação de grau de 2007

Bom, eu não entendo muito de cronobiologia, mas não sou fã do horário de verão, principalmente quando eu estudava pela manhã. Como não sou nada especialista na área, perguntei a um ex-professor de fisiologia (o Zé Gui) sobre o assunto e ele disse o seguinte:

“Os problemas que o deputado coloca são reais e ligados à mudança do ciclo. Não sei se o exemplo da viagem ao Paraguai é bom pois é justamente o problema do jet-lag que está envolvido na história …”

Não sei dizer se os prejuízos são significativos quando balanceados com a economia de energia… se as dores de cabeça, irritação, queda de inumidade acontecessem comigo, eu diria que sim.

Projeto prevê aumento de 1/3 para crime contra a honra pela internet

O projeto PLS 398/07, do senador Expedito Júnior (PR-RO) pretende aumentar as penas de crime contra a honra praticados na internet em 1/3.

Para acontecer a queixa, o responsável policial devera entrar na página e imprimir o conteúdo dela para utilizar como prova. Sem isso, nada poderá ser feito.

Agora eu fico imaginando a cena:

Internauta: Por favor. Tem um FDP que está me caluniando na internet!

Policial: Ok! Vamos averiguar. Deixa eu conectar o cabo do modem…

Internauta: Modem? Aqui vocês não tem banda larga?

Policial: Tinhamos, mas um hacker entrou e bagunçou nossa base de dados. Resolvemos tirar.

Internauta: Ok…

(10 min depois)

Policial: Bom, deixa eu trocar o cartucho da impressora! Escrivão! Pegue os cartuchos?

Escrivão: Só tem esses reciclados!

Policial: Qual o endereço?

Internauta: www.orkut.

Policial: Ixi… O Orkut ta bloqueado por aqui. O pessoal abusava um pouco! Aguarde mais um momento que vou pedir para o responsável desbloquear.

(10 minutos depois)

Policial: Ok… Entrando no orkut…

Internauta: É dentro desta comunidade…

Policial: Ixi… no Dunnuts for you! Poxa! justamente para nós policiais?


Internauta: tente de novo!!


Policial: Ok! é isso? Vou imprimir

(5 minutos depois)

Policial: Ixi!! a impressão saiu fraco e com as linhas borradas! justamente em cima do seu nome!!! Vou ter que imprimir de novo

Internauta: Ok! entre novamente

Policial: Eita! Cadê o nome da pessoa? É esse “Anônimo” coma  cara azulzinha?

Internauta: Acho que ele já apagou a conta do orkut…

Colméias às moscas

Nos últimos anos, tem sido notado o desaparecimento de abelhas da espécie Apis melifera nos EUA, na Europa e até no Brasil. Será que o preço do mel vai aumentar daqui há algum tempo?

Muitos são os suspeitos pelo sumiço das abelhas, de radiação de celulares a pólen de cultivos transgênicos (em ambos os casos, sem base científica alguma). O mais provável é que doenças provocadas por ácaros e protozoários tenham acometido tais abelhas e, ainda, o uso de novos inseticidas usados na agricultura (por exemplo, fipronil, já proibído na França).

Mas além da produção de mel, as abelhas são muito importantes ecologicamente por serem polinizadoras de vários tipos de plantas. Inclusive, é comum o aluguel de colméias durante a floração. E parece-me um mercado bastante rentável. Há poucos anos o aluguel de cada colméia por mês era cerca de US$40,00… agora está na casa dos US$ 200,00. Quem diria que uns insetinhos pudessem valer tanto?

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