Como e porque ser um doador de medula óssea

Uma decisão inédita da justiça de São Paulo garantiu aos pais da menina Júlia, portadora de leucemia, o direito de ter as células tronco do cordão umbilical da caçula recém-nascida (Sarah) coletadas durante o parto, em um procedimento totalmente custeado pelo Sistema Único de Sáude (SUS). O juiz do caso, Osni Assis Pereira, defendeu a idéia de que o recolhimento de células tronco de bebês seja uma prática regular no sistema público de saúde e alertou que tal decisão é inédita apenas porque a população não conhece seus direitos.

Lamentavemente, o material coletado de Sarah não foi compatível com o de sua irmã Júlia, que continua à espera de um doador. A família doou o sangue do cordão umbilical de Sarah para o banco de nacional de células tronco, no Rio de Janeiro.

Quando não há um doador aparentado, como no caso de Júlia, a única opção é recorrer ao Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (REDOME), instalado no Instituto Nacional Câncer (INCA). O REDOME agrega informações de todos os doadores do Brasil e hoje responde por 70% dos doadores encontrados. Porém, o número de pessoas dispostas a ser um doador ainda é muito baixo, cerca de 300.000.

Preocupante? Sim! Mas podemos ajudar a mudar esta cenário! Se você tem entre 18 e 55 anos e goza de boa saúde, pode ser um doador! Para tanto, o interessado deve procurar um Hemocentro de sua cidade, onde poderá esclarecer todas as suas dúvidas e, em seguida, será realizada a coleta de sangue, apenas 10 mL, para a realização do exame de histocompatibilidade (HLA, do inglês Human Leukocyte Antigen). Os dados são, então, inseridos no REDOME. Caso haja compatibilidade, o doador será consultado para decidir quanto à doação.

Para a doação, é necessário intervenção cirúrgica, com aplicação de anestesia. A medula é retirada através de punção do osso da bacia. Dói? Sim, claro! Mas o que é esta dor, que dura menos de uma semana e que pode ser amenizada com o uso de analgésicos, comparada com a dor de quem está há meses ou anos à espera de uma chance de viver e de seus familiares. Lembre-se, um dia você ou alguém que lhe é querido poderá estar nessa mesma situação. Se você tem algum problema de saúde e não pode ser um doador, mas se identificou com a causa, passe essa bola adiante!

Vacina contra HIV falha em teste

A nova vacina da Merck, que visava aumentar a produção de células-T para incrementar o sistema imune no combate ao vírus da Aids, fracassou em teste clínico. A vacina continha um vírus comum da gripe que carregava cópias de três genes do HIV.

O teste vinha sendo realizado desde 2005 em 3000 voluntários saudáveis, inclusive no Brasil. Metade deles tomava a vacina e metade placebo (grupo controle) e foi observado que não houve diferença entre o número de infectados pelo vírus nos dois grupos, ou seja, a vacina não foi capaz de impedir a infecção nem conter a multiplicação do HIV.

Apesar de decepcionante, certamente a notícia não desencorajará as pesquisas na área.

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Pesquisador já considerado “herói do planeta” é acusado de biopirataria

O primatólogo holandês naturalizado brasileiro Marc van Roosmalen foi condenado a 14 anos de prisão em Manaus sob acusação de biopirataria e peculato. Esta não é a primeira vez que o pesquisador protagoniza episódios polêmicos: já foi acusado de enviar material genético de espécies amazônicas para o exterior (o que provocou sua demissão do INPA), de transportar ilegalmente macacos e orquídeas e de tentar vender o direito à escolha de nomes científicos de novas espécies de macacos.

Roosmalen alega que pegou 14 anos de prisão porque fez ciência. Cientistas do mundo todo dizem que o tratamento dado a ele desestimulará as pesquisas biológicas e indica uma tendência de repressão governamental aos cientistas no Brasil. Afirmam ainda que as leis brasileiras antibiopirataria são vagas e conferem demasiado poder às autoridades que não têm conhecimento científico.

Não conheço as leis antibiopirataria (vou ler a respeito), mas tenho quase certeza que elas são elaboradas com auxílio de pessoas da área de ciências. Creio que a Dani pode comentar melhor sobre este aspecto.

O que eu sei é que o Brasil deve realmente proteger o seu maior bem, que é o patrimônio natural, e para isso é necessário regulamentação e aplicação exemplar das leis, bem como uma fiscalização adequada e maior transparência por parte dos pesquisadores.

Episódio 6- Traduções do Harry Potter, Richarlyson, órgão vomeronasal, etc

GunBound

Demorou mais saiu! O Episódio 6 está bem abrangente, discutindo as notícias do mês.

00’01”- Armada tradutora traduz o último Harry Potter para português em 2 semanas
00’40”- Francês é preso por divulgar tradução do Harry Potter
02’00”- Filmes piratas contam o final do Harry Potter (no Meio Bit tem o vídeo)
03’30”- Caso Richarlyson
09’50”- Sexo está no nariz e não no cérebro
13’10”- Hormônio pode curar obesidade de origem genética
14’40”- Brasileiro é sequestrado por causa de pontos em jogo on line GunBound
17’30”- Discussão sobre roubo on line e vazamento da caixa preta (audio)
22’00”- Qual o nosso papel na segurança?
25’00”- TV nos ônibus – Bus TV

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Tratamento genético contra HIV

Um novo tratamento contra a Aids começou a ser testado em humanos na Califórnia (EUA). A técnica consiste em modificar a informação genética dos linfócitos T auxiliares dos indivíduos soropositivos. Os linfócitos T auxiliares fazem parte do sistema imunológico e são as células infectadas pelo vírus HIV. Para que o vírus penetre nestas células, ele liga-se a proteínas de membrana. Já dentro da célula, o vírus passa a usar toda a maquinaria molecular dela para reproduzir-se e a célula começa a sintetizar proteínas virais. Os linfócitos T auxiliares são, então, reconhecidos como patógenos e destruídos por outras células do sistema imunológico, causando a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids).

Neste novo tratamento, o paciente receberá suas próprias células do sistema imunológico modificadas geneticamente. Os genes introduzidos farão com que as células reconheçam o HIV como uma ameaça e estimularão os mecanismos de defesa do indivíduo, prevenindo a duplicação da célula infectada. Técnicas semelhantes já tem sido utilizadas com sucesso no tratamento de doenças auto-imunes.

É importante salientar que não é a cura para a Aids, e sim uma tentativa de controlar o vírus ou reduzir sua presença para que os pacientes precisem de menos remédios. Não é a cura, mas pode ser o caminho…